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Negligência visual.
Me corrijam se eu estiver errado, mas o “Jornal Hoje” (Rede Globo) dedicou, nos últimos dias, pelo menos 55% do seu tempo no ar ao caso da pequena Isabella Nardoni. Assassinada em condições adversas e por motivos desconhecidos, a brutal morte precoce ganhou os televisores e o luto do país inteiro em um intervalo muito pequeno de tempo.
Fato é que, com um drama sem circunstâncias inéditas, a notoriedade do caso evoluiu e, como o próprio JH mostrou, mais uma vez pôde ser notado o poder da imprensa e da mídia no dia-a-dia da vida das pessoas comuns desse grande pedaço de terra que todos chamamos carinhosamente de Brasil.
Em uma demonstração subjetiva do próprio poder, a Globo recentemente exibiu (no próprio Jornal Hoje) uma reportagem sobre uma mulher chamada Ana Paula. Ela, que é mãe de um filho pequeno, pegou dois ônibus, um metrô e faltou ao trabalho, só pra marcar presença no cenário que tantas vezes viu na televisão: A casa dos Nardoni, pais e suspeitos da morte da pequena Isabella, que, com certeza, jamais imaginou que seria motivo de tamanho burburinho.
A Ana Paula podia estar tomando conta daquele pingo de gente que ela cultivou no próprio ventre por nove meses, mas preferiu fazer parte da multidão que se reúne todos os dias para jogar pedras na casa dos Nardonis e entoar coros deveras criativos como “Pega lá, pega lá / O casal pra nóis linchá”.
Pergunto: Na época da ditadura militar sobraram sacrifícios e baixas humanas na brava luta pelo direito de obter a liberdade de expressão como um direito de qualquer cidadão. É impressão minha, ou nós, cidadãos, (e até mesmo a mídia como um todo) simplesmente não sabemos direito o que fazer com ela?
Tragédias como essa acontecem no Brasil e no mundo inteiro, caros (poucos) leitores. Qualquer um pode pegar qualquer jornal diário e ler as páginas policias para, em seguida, se horrorizar com crimes e falcatruas ilegais com uma crueldade que superam facilmente o caso da pequena Isabella.
Óbvio, de jeito nenhum eu estou querendo dizer que o caso em questão merece menos atenção ou comoção, mas por qual motivo ele merece mais que todos os outros?
Não existem mais tramóias políticas no Brasil? O tráfico de narcóticos foi exterminado? Todos os pedófilos foram presos? Trabalho infantil e escravo não são mais uma realidade? Acabou o aquecimento global? O nível da criminalidade e da analfabetização chegaram à estaca zero? O McDonalds vende carne de minhoca, afinal?!
Um belo exemplo é o curta que o Górdi postou. É inegável que a situação denunciada ultrapassa o status de absurdo gritante, sem esquecer que as circunstâncias apresentadas não são exclusividade da Ilha das Flores. Longe disso, por sinal.
Óbvio, toma muito menos tempo crucificar um entre um milhão de criminosos, voltar pra casa e acompanhar outro caso chocante e perturbador: O padre que levantou vôo usando balões de gás hélio e se perdeu no mar!
Add comment 24 Abril, 2008
Propagandas Legais
Hoje começo minhas postagens nesse blog. No primeiro post quero compartilhar com vocês, leitores, uma propaganda feita para a comeração dos 100 anos da ABI( associação Brasileira de imprensa). Feita por Nizan Guanaes, o video mostra as diferenças que uma virgula pode fazer em um texto. Não é a toa que ele é considerado um dos maiores publicitarios do brasil. Abaixo o video do comercial.
Em tempo, deixo pra vocês o link do Falando Nisso para a palestra do Nizan Guanaes na 22 semana internacional de criação. http://www.falandonisso.com/2008/04/18/22%c2%aa-semana-internacional-da-criacao-nizan-guanaes/
2 comments 18 Abril, 2008
Diálogos imperdíveis que ninguém quer ouvir.
Dou aqui o pontapé inicial da minha participação neste delicado sítio virtual, em resposta à acusação incoerente de negligência direcionada à minha pessoa no post anterior. A boca marota desse acusador sem fundamentos é , sem dúvida, banhada a cepacol sabor chorume.
Estréio aqui levando ao mundo um diálogo recheado de inteligência, desprovido de subjetividades e de extenso conhecimento cultural, ocorrido entre três comparsas dentro de um automóvel em movimento.
“
-Quando eu morava nos EUA, descobri que tinha uma tribo lá de uns hippie que só faziam plantar batata e maconha! Tipo agricultura de subsistência, saca?
-(Todos riem)
-Mas então a dieta deles é composta só de batata?
-Não, porra. Eles vendiam uma parte das batatas..
-Pra comprar mais maconha?
-…
“
(Os colaboradores do obolog não têm absolutamente nada contra os hippies ou qualquer tribo habitante de qualquer parte do globo. Inclusive, vale ressaltar que nós os achamos pessoas muito felizes, além de ficar à vontade como ninguém).
2 comments 18 Abril, 2008
ressalva importante (?)
“É de suma importância ressaltar que os diálogos aqui publicados só o foram por serem possuidores de uma imensa carga de bom humor no exato momento em que foram concebidos. Se por algum acaso você não riu de nenhuma dessas conversas ou simplesmente achou essa idéia uma bosta, fique à vontade para fechar esta janela “
Add comment 10 Abril, 2008
